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EDUCAÇÃO INFANTIL

Cada criança nasce com  a esperança de achar pessoas que conheçam a sua  origem espiritual, então assim ela poderá  ser compreendida. 

No ser humano existem 3 forças: o pensar, o pólo da cabeça, uma força mais fria e  dura; o agir,  o pólo dos membros, que é uma força mais quente do movimento; e no centro do ser humano, no seu coração,  está o sentir com as forças criativas da fantasia, da imaginação.

Não podemos caminhar na busca da liberdade, se não formos pelo caminho do meio, do coração, o equilíbrio entre os dois pólos opostos. Precisamos trazer o tempo todo as forças da fantasia, da imaginação, como forças vivas criativas, para formarmos seres livres. 

Precisamos encontrar com  os  nossos alunos, através do centro,  do coração, onde estão as forças calorosas da imaginação.  Através desse encontro estimulá-los no seu impulso criativo, deixando surgir iniciativas livres, aonde surge o pensar com o agir/fazer, centrado no coração. 

Trazer conteúdos e atividades sem significado faz mal aos alunos,  pois eles não se  envolvem. Os conteúdos devem ser trazidos, deixando sempre espaço para a  participação da criança. Eles  se empolgam em completar, criar através da sua iniciativa.

Deixar esse espaço para que cada aluno desenvolva e expresse a sua  imaginação é fazer com que ele crie o seu espaço de se tornar livre. O método da arte de educar é criar um espaço aonde a criança e o educador  desenvolvam a imaginação, a fantasia que vem do ser verdadeiramente livre.  No homem, os processos de transformação são criativos e inesperados e isso  só o ser humano consegue. As crianças pequenas, os bebês sabem a seqüência dos movimentos que irão  desenvolver, do nascer até sentar, andar, etc. Nós não ensinamos essa  seqüência para elas. Elas têm a força de ir atrás e aprender as novas etapas.  As crianças das cidades grandes têm dificuldades em descobrir o que podem  fazer com os seus corpos. Então na escola muitas vezes elas estão agitadas e  não sabem o que fazer com os seus corpos e não conseguem brincar. Podemos  propor uma brincadeira de agilidade corporal, brincar de circo, como andar  se equilibrando e assim percebem as possibilidades do seu corpo, o que o corpo  consegue. Depois de perceberem isso elas começam a criar e a brincar e se tornam ágeis.  Assim também temos crianças pequenas que chegam perto da professora e  ficam só perguntando o tempo todo. Não devemos ficar respondendo a tudo e sim leva-los a fazer o que estamos fazendo, pintar, limpar a mesa e preparar a comida, desenhar etc.

Os pequenos têm a força da imitação, mas se já estão muito nas forças da  cabeça, nas forças do pensar, pois só estão com adultos que não propõem atividades do fazer, precisam  de ajuda para acordar a força da imitação que leva ela a agir e descobrir o mundo. Precisamos pegar nas suas mão e fazer juntos as atividades até que consigam fazer por  imitação.

Depois irão sair do pólo da cabeça e ir para os membros e  então começam a brincar e a ter fantasia novamente, desenvolvendo o seu poder criativo.  Os impulsos da fantasia e da imitação na criança muitas vezes estão bloqueados e a criança não consegue brincar.Então precisamos levá-la a fazer junto com o adulto para despertar a imitação, levá-los a entrar no corpo, nos movimentos, até os membros e então irão conseguir brincar e criar com alegria de viver e estar no mundo. 

O brincar é a linguagem da fantasia, que traz a força da criação, algo novo, que nos faz e nos revela que somos divinos (criativos), possibilitando a transformação e o espaço de sermos livres.  O fazer no brincar é o mais importante. Eles constroem e levam um tempo enorme fazendo e depois eles têm que arrumar tudo; para depois no dia seguinte muitas vezes refazer tudo outra vez, a mesma brincadeira.  As crianças nos trazem muitas vezes um mundo sem estrutura, que está ao seu redor e nos fazem trabalhar para que possamos estruturá-lo, nos estruturando a ambos, a cada momento.   O que nos deixa cansados não é a quantidade de trabalho, mas como lidamos com esses dois extremos, da cabeça e do agir, precisamos sempre lidar cm a vida com leveza, humor e objetividade. Devemos encher a vida de imaginação, mas não de fantasmagóricas imagens que o mundo externo nos traz, como da televisão e outros, fora da realidade e nos desvia do caminho leve e alegre do criar e construir com significado. 

A criança não quer  só saber o que o professor preparou para a aula, mas também quem está lá na frente dele como autoridade e como pessoa. Os conflitos são as crises entre os extremos e através da imaginação eu percebo que fazem parte de mim e eu aprendo a lidar e a me conhecer. A força da imaginação, o impulso de criar não é algo confortável, mas algo que nos faz ficar incomodados e nos faz mudar, isso é difícil, pois nos faz sair do velho conhecido e ir para o novo desconhecido e inseguro.   As crianças hoje brincam menos que antes. Muitas têm tv no quarto e jogos eletrônicos, etc.  A tv é uma doença para a criança pequena que necessita de se movimentar e devemos tratar com medicina preventiva. As crianças hoje estão em solidão, intelectualizadas e não sabem brincar. O brincar é a expressão da sua relação com o mundo todo e desenvolve o seu organismo integralmente, o pensar, o sentir e o agir através da força criativa.  Precisamos trazer a criança para os seus membros, tirando-a da apatia atual, fazendo com elas as atividades da casa, como cozinhar, fazer faxina e limpeza, atividades com significado, com grandes movimentos quando são pequenas e depois movimentos menores, como limpar o arroz ou cortar legumes, quando são maiores.

Sabemos que quanto mais a criança brinca mais ela sabe se relacionar com as pessoas e com as situações da vida. Muitos jovens ainda querem brincar, porque não brincaram na infância ou estão na apatia. Através de atividades lúdicas e artísticas, os jovens se abrem para o mundo com vontade de realizar e de se relacionar de uma forma melhor.  Nós não realizamos o quanto às propostas da pedagogia Waldorf é curativa !  Aos 3 anos, quando a criança fala “EU”,  inicia-se a individualização, com isso inicia também a fantasia,  o brincar, o se relacionar, a troca com o outro e o pensar.

O caminho da individualização é o caminho da fantasia, da imaginação no ser humano. A criança dos 3 aos 4 anos, já brinca com as outras crianças  e  necessita dos objetos, dos brinquedos.

Depois dos 5 aos 6 anos, ela já consegue brincar sem objetos e fica elaborando e falando sobre a brincadeira, criando-a na sua imaginação. Agora a criança já tem um mundo interior. 

Esse processo da  fantasia do brincar fora, aonde tudo pode ser tudo e se transforma em tudo, para a imaginação  interiorizada do brincar elaborado, planejado  é o caminho de preparo para o ensino escolar no primeiro grau. Pois agora a criança necessita esse espaço interior para receber o mundo através dos conteúdos escolares.

Porque o pensar acorda junto com a fantasia? 
O pensar se desenvolve  e  não deveríamos ficar só no intelecto, mas em toda a capacidade do pensar imaginativo.  Um psiquiatra pesquisou os prisioneiros agressivos e perguntou se eles tinham brincado  na infância.

Todos responderam que não  tinham brincado. A mesma pergunta ele fez aos grandes empreendedores e pessoas realizadas. Todos responderam que tinham brincado muito. Perguntou também ás pessoas que trabalhavam em áreas de pouca criatividade e eles responderam que tinham brincado muito pouco. 

A criança do primeiro setênio sabe que existem duas realidades, o mundo dos contos e o concreto e vive muito bem nos dois mundos. No jardim de infância as crianças ouvem contos, brincam e fazem

atividades práticas e úteis de casa com os adultos e então  elas aprendem a estar no mundo e  a trazer a fantasia no brincar e a se relacionar bem com tudo. Todo brincar na sala do jardim é intenso, cheio de idéias, aonde a criança atua com o  mundo e ela tranforma conforme as suas necessidades. Na hora de fazer o pão, participam aqueles que querem agora dar forma e atuar em algo concreto, com utilidade e finalidade. Muitos chegam de carro e é uma longa viagem e então primeiro precisam se movimentar para chegar  em si na classe e então começar a brincar. Quando estão chateados na classe, às vezes querem ficar sós e quietos para depois achar o novo espaço.

Aos 2/3 anos falam "não" experimentando a si , aos 6/7 anos dizem "não" querendo se colocar com mais força e aos 14 anos escrevem  “não entrem no meu quarto", sempre mostrando uma necessidade de um novo espaço.  Como trabalhamos com a imaginação, para não nos deixar levar para fora de nós, numa “irrealidade fantasiosa”?

Devemos atuar com os alunos de forma a levá-los a fazer, atuar, realizar projetos concretos com significado, úteis. Então teremos adultos com força para um agir significativo, ponderado por um pensar criativo, permeado pelo sentir caloroso, que equilibra e pondera.

PROFESSORA DE JARDIM DE INFÂNCIA WALDORF - MARIA CHANTAL AMARANTE - 2007

 

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